Do jeito que o mundo digital anda voando,
precisaríamos ter um cérebro e uma memória monstros para processar o
mar de informações que nos navega ao toque de um minuto. Tudo embalado
em centenas de exabytes - lembrando que um exabyte é igual a um bilhão
de megabytes.
Esta crônica, uma vez postada, entrará imediatamente
no gigantesco arquivo eletrônico. Já não é novidade, mas a
possibilidade de um senhor numa praça em Lisboa, de repente, acessar o
blog Mente Aberta arrepia meus dois neurônios.
Agora falando sério. Pergunto: como encontrar o que
verdadeiramente nos interessa? As mídias tradicionais - em particular
jornais, telejornais e revistas - fazem o trabalho de mediação entre os
fatos e os leitores. Eu não escolho o que vou ler. Editores hierarquizam as notícias e os escândalos para mim.
Mas a internet é muito livre para se submeter a
intermediários, mesmo aqueles intermediários com profunda cultura e
excelente profissionalismo. Ela é vagabunda e bem-comportada ao mesmo
tempo. Ao lado de um artigo científico, convive uma fofoca do último Big
Brother Brasil.
Até o Facebook criado em 2004, e o Twitter surgido
em 2006 - os dois uma espécie de internet entre amigos, ou entre pares -
começam a dar enxaqueca quanto a administrá-los. Pois tamanha é a
quantidade e a velocidade do tráfego de dados e informações.
A questão é que informações e dados nos chegam
embaralhados, fragmentados, em excesso. É claro, o mundo está na rede.
Mas ninguém dá conta e nem se interessa pelo mundo inteiro. Temos
preferências, prioridades, paixões. E ódios também.
Não imagino que possa existir uma receitona, ou
receitinha, para encontrar e processar informações. Se alguém souber,
por favor, escreva nos comentários. Tenho a sensação que cada um terá
que desvelar as chaves que abram o caminho.
Penso que uma boa dica de começo é aprender a
filtrar. Isto é, recorrer à velha e sempre fiel capacidade crítica.
Descobrir o que é relevante para a vida pessoal e para o trabalho que se
faz, ou que se deseja fazer. Resumo dos bytes: que tipo de informação
me transforma?
Imagem: Régine Ferrandis.
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